A PASSAGEM PARA O MUNDO ESPIRITUAL (POSTAGEM DO COLUNISTA JOÃO RIBEIRO, O BEIRÓ)

A passagem para o mundo espiritual
João Ribeiro
Muito se tem escrito sobre a finitude de nossa existência terrena e sobre quão efêmera ela pode ser. É difícil nos acostumarmos à ideia de que todos nós teremos um fim, mas é necessário entender que teremos outra vida — desta vez espiritual — em outros planos, como muitos acreditam (inclusive eu). Tenho abordado este tema algumas vezes no Blog do João Ribeiro, assim como assuntos correlatos, sobre os mistérios do que virá a seguir e as expectativas que poderíamos ter sobre um assunto tão difícil para nosso entendimento.
Dentro da simplicidade deste texto, tento falar um pouco dos pensamentos que tenho tido ao longo de minha existência, desde a infância até os dias atuais. Por exemplo, no princípio, quando criança, nem sequer imaginávamos tocar nesse assunto — ou seja, a morte não figurava em nosso meio. Na realidade, uma criança tem quase uma convicção de que será eterna, e isso é muito bom para essa idade: um tipo de proteção mental. Mais tarde, dependendo do caso — alguns na juventude, outros na fase adulta — começamos a nos dar conta da passagem de outras pessoas e da existência da morte. A ausência de entes queridos começa, então, a fazer parte de nossas vidas.
Na fase adulta, particularmente na envelhescência — como se chama aquele período em que iniciamos o processo de entrada na terceira idade — a consciência, juntamente com nossas experiências de vida, nos faz perceber que nossos familiares e amigos vão descendo do Trem da Vida em diferentes estações, muitas vezes sem aviso prévio. A cada partida, uma constatação: realmente somos seres finitos, e a única espécie na Terra que possui consciência disso.
No meu caso particular, além de perder meu pai e minha mãe, vivenciei a perda da totalidade de meus tios, muitos primos, parentes próximos e inúmeros amigos. Tenho um grande amigo que entende muito bem essas questões e, em nossas conversas, passei a assimilar com calma todas as verdades sobre o assunto, encarando a morte como uma consequência natural da vida. A realidade é essa — não há o que mudar. Um ser humano nasce, cresce, envelhece e morre. Pensando assim, é importante trabalhar o nosso espírito para receber os fatos com a possível naturalidade. Os nossos entes queridos se foram fisicamente, mas deixaram em nós suas marcas, a saudade e as lembranças. Eles estão em outra dimensão, cujo processo nós não podemos imaginar.
É preciso ter fé e uma crença — não apenas em religiões, de forma geral — mas sim na existência de um Ser Supremo e de outra dimensão de vida, onde estaremos algum dia, eternamente.
Gosto muito de ler e me aprofundar nesses assuntos. Concordo que os espíritos são regidos por condicionantes totalmente diversas das nossas, como o tempo, a distância, o espaço etc. Isso me leva a pensar em uma possibilidade: já que temos na informática atual o armazenamento “nas nuvens”, os espíritos também poderiam viajar por uma camada que ainda não sabemos como seria, mas em um estado em que não estejam submetidos ao tempo, como nós. Desse modo, os espíritos poderiam avançar ou retroceder no tempo e, em algumas hipóteses mais remotas, nos transmitir — através de sonhos, impressões ou do que chamamos às vezes de pressentimentos — o que poderia vir a acontecer conosco.
O assunto é empolgante e certamente nunca chegaremos a uma conclusão. Só nos resta pensar, com a inteligência e o raciocínio que nos foi dado, nesta fascinante experiência de vida.
João Ribeiro da Silva Neto